“Volta. Vem viver outra vez…” | Blog Sustentabilidade e Gestão

De tempos em tempos a volta da Samarco reaparece em cena. Há sempre mais de um prognóstico e uma certeza: tem-se de esperar. De fato, não existem respostas simples (e nem rápidas) para problemas complexos e um acidente das proporções do rompimento da Barragem de Fundão pode ser tudo menos um problema simples.

A morte é irremediável e nada compensará a dor dos que perderam seus entes queridos. Não se pode esquecê-los e nem imaginar que o acidente foi um desígnio dos deuses. A justiça tem de ser feita e o que puder ser remediado precisa sê-lo. No entanto, há de se pensar também nos que sofrem pela paralisação da Samarco.

Por força do meu trabalho, sempre penso numa empresa em termos de suas partes interessadas, genericamente: acionistas, clientes, empregados, fornecedores e a sociedade. Cada uma dessas partes com interesses próprios, que se articulam para dar vida a uma empresa que, se for saudável, produz lucro. Creio que ninguém desconhece isso.

Na época do acidente uma pessoa me disse que a Samarco precisava ser castigada. Entendi que a pessoa queria dizer algo assim: os acionistas têm de pagar pelo desastre que a empresa provocou. Entendi também a revolta dela, mas não consegui deixar de pensar que todas as outras partes interessadas também iriam ser castigadas e não apenas os acionistas. Enfim, a quase absoluta maioria castigada seria de inocentes.

Na verdade, é preciso pensar em justiça antes de pensar em castigo. É preciso pensar no futuro, sem esquecer os ensinamentos do passado e usar o presente para construir algo melhor. Não é isso que nos faz suportar o Brasil de agora?

A Samarco parada não interessa a nenhuma de suas partes interessadas e nem promove qualquer forma de justiça. A verdadeira justiça não seria a reparação – tanto quanto possível – dos males causados? Não seria um maior controle das questões de segurança e de meio ambiente? Não seria a volta dos impostos, dos postos de trabalho, da saúde econômica dos municípios mineiros e capixabas afetados?

A Samarco precisa voltar. Que a lenda da fênix inspire aqueles que a integram, porque empresas não existem sem pessoas (ainda). Que volte com esperanças, força, respeito e ciente de que sua existência futura tem compromissos que vão muito, muito além do lucro. Que volte para promover SUSTENTABILIDADE.

(*) Da música Volta, de Lupicinio Rodrigues.