Rafael Nadal é vítima da sua própria força física e mental

Rafael Nadal sempre demonstra suas emoções. Na sexta-feira (27), cinco minutos depois que a coletiva de imprensa foi anunciada, o espanhol sentou na principal sala de Roland Garros com a decepção estampada no rosto.

Uma semana antes do seu aniversário de 30 anos, o número cinco do mundo precisou abandonar o torneio que ele venceu por nove vezes — como nenhum atleta da Era Aberta do tênis conseguiu. A lesão no tendão do pulso esquerdo mostra como o corpo do jogador continua a desapontá-lo. Porém, é possível que ele tenha abusado do físico ao longo dos anos?

Sua força mental é celebrada por fãs e adversário, mas isso pode ter virado uma situação problemática para ele?

A lesão sofrida no começo de maio em Madri, piorou em Roma — onde Nadal atuou até ser eliminado nas quartas de final. Ele esteve em quadra na última semana com injeções para diminuição da dor e não conseguiu treinar na sexta-feira. Um médico, segundo o espanhol, afirmou que continuar jogando iria rasgar o tendão por completo. “Chegou um momento que eu não conseguia acertar nenhuma bola. Eu não posso fazer todos os movimentos. Estou pronto para arriscar todos os limites, mas em certos momentos você não pode seguir”, afirma um triste número cinco do mundo.

É típico de Rafa tentar atuar menos de 100% em Roland Garros, mas essa experiência pode forçá-lo a pensar um pouco mais sobre a deterioração física do seu corpo. Sabendo que sua janela para vencer o 15º Grand Slam está fechando, o espanhol pode voltar a exceder os limites.

“Essa é a coletiva mais dura da minha carreira. Deixar o mais importante torneio para mim, onde tudo mudou. Não é fácil. Ainda mais no momento em que eu tinha chances”, comenta. Porém, a verdade é que Nadal — com 72 vitórias e duas derrotas em Roland Garros — não está bem. Os títulos em Barcelona e Monte Carlo deram a impressão que o décimo caneco de Roland Garros era possível, mas tudo não passou de uma “torcida” pela recuperação do jogador. A pergunta é se o espanhol será capaz de conquistar um Grand Slam no futuro?
“Isso acontece. Só posso dizer que é um momento de azar e faz parte da nossa vida”. Não, Rafa. Não é falta de sorte. Na realidade, o espanhol, no retrospecto, é vítima de suas forças físicas e mentais.

O fenomenal torque na bola que Nadal utilizou para vencer Roger Federer em Wimbledon-2008, em uma das maiores partidas da história, é o fator que levou a essa continuidade de lesões.

O distúrbio? Nadal teve uma contusão no pulso direito. Agora, ele apresenta um novo problema físico. Em 2006, ele perdeu o Australian Open por um problema no pé. Três anos depois, o joelho apresentou uma tendinite crônica e perdeu Wimbledon — essa mossa alterou a forma de atuação do espanhol. O pulso direito também causou a desistência do US Open, em 2014.

“É um momento complicado, mas não é o fim. Eu tenho a motivação e a energia corretas para voltar a Roland Garros e torço para ter chances nos próximos anos”, comenta um bravo Rafa.

Nadal não tem certeza se estará em Wimbledon, que começa daqui um mês. A esperança é que ele esteja, assim como Federer, que deixou Roland Garros depois de lesões no joelho e das costas, e tome uma decisão sensata sobre o seu futuro.

 

Fonte: Yahoo Esportes