Professor dá aula vestido de drag queen a alunos de cursinho no PR

Um professor de português do cursinho pré-vestibular da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) resolveu dar uma aula diferente no último dia 16. Jonathan Chasko tinha artigos definidos e indefinidos como conteúdo programado para aquele dia, mas quem deu a aula foi sua drag queen, Sofia Ariel.

— Eu comecei a aula abordando o conteúdo programático da disciplina. Durante a aula, para exemplificar, utilizei frases e orações que remetessem ao universo das drag queens e apontando para o que eu pretendia falar na sequência, a homofobia.

Segundo ele, a ideia veio para destacar o dia 17 de maio, que é o dia mundial de luta contra a homofobia. Chasko diz que “é de extrema importância” que professores assumam a responsabilidade em trabalhar os temas transversais previstos pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases) e pelos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais).

— O racismo, as diversidades sexuais e de gênero, as questões relacionadas ao meio ambiente, entre os outros temas transversais são extremamente importantes para o desenvolvimento intelectual dos jovens que nos são confiados, não só intelectual, mas pessoal, profissional e social.
O professor diz que os alunos foram se interessando cada vez mais pelo tema com o passar do tempo. No final da aula, quando ele chegou ao tema da homofobia, eles conversaram sobre “as diferentes manifestações de sexualidade e sobre as questões de gênero para compreender o que é a homossexualidade e o que é a homofobia”.

— Os alunos participaram e mostraram interesse em compreender como algumas opressões se dão. Foi, realmente, muito proveitoso. Eu esperava mais resistência dos alunos, mas foi tudo muito tranquilo e engraçado, minha drag faz a linha bagaceira e caricata, então, a piada e o tropeço eram constantes e isso deixava os alunos mais confortáveis ainda.

Segundo ele, é de extrema importância que os cursos de graduação em licenciatura se adequem aos alunos que sempre estiveram na escola, mas, “somente agora, começaram a ter suas identidades respeitadas”.

Desde que a notícia sobre a sua aula popularizou na internet, o professor está recebendo solicitações de amizade todos os dias em seu Facebook e responde pessoas que mandam mensagens com relatos e histórias de como sofreram com a homofobia no período escolar.

— O que mais me chocou foi, certamente, de uma jovem que relatou ter sido apedrejada na escola por ser lésbica. Todos esses relatos vêm acompanhados de uma esperança de que a vida poderia ter sido diferente se algum professor tivesse abordado questões de sexualidade e gênero na sala de aula.

Fonte: R7.com
Foto: R7.com