Professor capixaba tem arma apontada para a cabeça durante assalto

O professor capixaba Wemerson Nogueira, finalista do Global Teacher Prize 2017 – onde se destacou como primeiro brasileiro e latino-americano a figurar entre os dez melhores professores do mundo – foi nomeado nesta segunda-feira (8) embaixador da educação pelo Ministério da Educação num evento em São Paulo. Porém, ao retornar ao Espírito Santo, o professor foi vítima de um assalto chegando em seu apartamento.

Wemerson relatou em sua rede social pessoal os momentos de pânico vividos por ele. “Estou vivo por um milagre de Deus. Acabei de ser assaltado na porta de entrada do meu apartamento, havia acabado de chegar de viagem, estava falando no telefone, quando apareceu um carro e saiu um “vagabundo” me pedindo o celular. No momento disse para levar dinheiro e não o celular, imediatamente ele apontou a arma no meu rosto e apertou o gatilho, mais por um milagre de Deus, falhou, entreguei imediatamente o celular, que por sinal estava “velho e quebrado”, na qual ele entrou no carro e saiu”, contou.

Apesar do susto o professor disse que passa bem. “Não desejo isso que passei a ninguém, estou sem chão para pisar e aflito!“, disse.

Prêmios

O professor capixaba tem 26 anos e já recebeu 20 prêmios ao longo de sua trajetória, oito deles pelo projeto Filtrando as Lágrimas do Rio Doce, incluindo o Global Teacher Prize 2017. Após o rompimento da barragem no município mineiro de Mariana, que matou 22 pessoas e causou destruição ecológica, Wemerson decidiu levar seus estudantes para estudar a tabela periódica na prática.

Por meio de um filtro simples feito à base de pedras e areia oxidada, capaz de filtrar os rejeitos de mineração, o professor e os alunos têm ajudado a população que vive às margens do rio Doce a ter acesso à água potável. Embora não seja recomendada para o consumo humano, é considerada segura para uso doméstico, como lavar roupas, e também para a irrigação. No início, foram 55 filtros. Hoje, são cerca de 1,5 mil, capazes de filtrar mais de 200 mil litros de água. A garantia é dada por empresas parceiras do projeto que colaboram com serviços como a análise da água.

O projeto começou com 30 estudantes do nono ano do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio. Agora, são mais de 100. “Tiro os alunos da sala de aula e os levo até a comunidade de Regência, umas das afetadas pela tragédia. Lá na comunidade, os alunos têm uma perspectiva do que é fazer pelo próximo através da educação e consigo despertar o interesse desses alunos para querer, pelo menos, aprender sobre os elementos químicos, já que no rio Doce tem uma verdadeira tabela periódica”, detalha o professor.

Caçula de sete irmãos, Wemerson foi o primeiro da família a chegar à graduação, por meio de um curso de educação a distância que conseguiu pagar com esforço. Seus pais são agricultores e ele viu nos estudos a única forma de ter um futuro diferente. Sobre o projeto, disse ainda ter muito a fazer. “Nossa meta é ajudar 3 milhões de pessoas atingidas pela tragédia de Mariana.”

Com informações do Ministério da Educação
Record News ES / Rede SIM