Mucane terá bate-papo e mostra audiovisual do Coletivo Damballa

Com a proposta de reunir produtores e discutir a inclusão de ações afirmativas para realizadores negros no Espírito Santo, acontece na próxima quarta-feira (28), às 19 horas, no Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane), o encontro “Ações Afirmativas no Audiovisual Capixaba”, realizado pelo Coletivo Damballa.

O evento traz um bate-papo para refletir sobre as ações afirmativas no Estado dentro do audiovisual, além de uma mostra de filmes que dá um panorama da produção local contemporânea.

“Entendemos que o evento também será um espaço de reflexão sobre o cinema negro capixaba. Apesar do acesso ainda incipiente de cineastas a recursos públicos para produção, ainda encontramos obras de extrema qualidade em sua concepção artística e estética”, explicou Adriano Monteiro, cineasta e um dos criadores do Damballa.

Coletivo

O Damballa é um coletivo formado pelos cineastas Adriano Monteiro, Alexander S. Buck, Dell Freire e Daiana Rocha. A ideia surgiu com a proposta de ampliar as reflexões sobre o cinema negro no Estado e iniciar o debate sobre a democratização dos recursos públicos para fomento do audiovisual capixaba.

Além disto, o Damballa também é um coletivo de produção de cinema negro, com foco na representatividade racial dentro do “cinema de gênero”, tendo como principais referências o Realismo Fantástico e Afrofuturismo.

“Nossa intenção com o lançamento público do coletivo, além do debate das ações afirmativas, é chamar os profissionais negros do audiovisual para um diálogo, estimular a aproximação desses profissionais para proposição de parcerias em projetos futuros, inclusive, de nossas produções que virão em breve”.

Representatividade

Segundo dados divulgados em janeiro de 2018 pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), tendo como base os longas-metragens lançados nos cinemas brasileiros em 2016, apenas 2,1% dessas produções foram dirigidas por homens negros. O estudo registra também que nenhum filme foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra no mesmo período.

“O Estado possui mais de 50% de sua população composta de negros e pardos e, muitas vezes, não enxergamos essa representação nas obras e, muito menos, por trás das câmeras conduzindo uma produção”, disse Adriano.

Filmes

De acordo com Adriano, a seleção dos filmes que serão exibidos surgiu de forma orgânica, com três curtas, realizados por integrantes do coletivo, e uma produção convidada.

Braços Vazios (Daiana Rocha, 2018) – Lançamento

Vera é uma mãe que perdeu seu filho, Carlos, de forma trágica. Ela não consegue se recuperar do trauma e se apega às lembranças numa tentativa de amenizar seu sofrimento. Até que um dia Vera encontra um bilhete que a obriga a fazer uma escolha.

HIC (Alexander S. Buck, 2017)

Hic é onomatopeia para soluço. Hic é um conto de Ori, o Orixá pessoal responsável pela intuição e destino. Nessa incrível jornada, um maratonista africano vence a 13ª Maratona Internacional de Vitória, quando uma crise de soluços teleportadores o leva para longe de sua conquista e de seu sonho. O absurdo de uma realidade. A realidade do absurdo. Um curta contemporâneo sobre racismo e empoderamento negro.

Beatitude (Délio Freire, 2014)

Releitura do mito de Anastácia, a escrava divinizada pela cultura afrobrasileira. A jovem Anastácia, uma das mulheres responsáveis pela confecção de panelas de barro em Goiabeiras, é vista pelo orixá Ajalá. Apaixonam-se. O amor dos dois vai causar a alegria em uns deuses e a ira em outros. Esse amor perfeito irá resultar numa comunhão divina entre homens e deuses, mostrando que todo homem e toda mulher é uma divindade através da realização de seu trabalho no dia-a-dia.

Sombras do Tempo (Edson Ferreira, 2012) – Curta convidado

Sombras do Tempo é um mergulho ao mais íntimo de um homem: suas memórias, marcadas por mistérios e ausências. O tempo é o fio condutor, onde passado e presente se misturam e revelam uma mente em busca de significados.

Direto da redação, com informações da Prefeitura de Vitória