Medo, amor e sustentabilidade | Blog Sustentabilidade e Gestão

O medo parece ser o mais eficiente catalizador da sustentabilidade. Não há um único ser humano de bom senso que não tenha medo da insustentabilidade a que chegamos. Em pleno século XXI enfrentamos problemas incompatíveis com a evolução da nossa ciência: falta água, faltam leitos de hospitais, falta ar puro, faltam políticos honestos, faltam praias limpas, faltam eleitores conscientes. Sobra insegurança sob todos os aspectos – da jurídica à pessoal. Tudo nos parece, simplesmente, desolação.

Por certo, pensar somente em problemas é puro pessimismo – estéril e tolo -, mas a verdade é que as coisas ruins (tão insistentemente propagadas) acabam por nos fazer esquecer das conquistas. A humanidade venceu muitas doenças, somos mais longevos e, por mais incrível que pareça, o mundo é mais pacífico agora do que no século anterior. Resolvemos muitos problemas da espécie humana, mas criamos outros tantos, com os quais temos dificuldade de lidar e os problemas ambientais, por exemplo, enquadram-se nesta categoria.

No final do século XVIII Thomas Malthus previu o fim da humanidade pela fome. Suas estatísticas estavam corretas e previam que a fome viria com o aumento da população. Mas veio a revolução industrial seguida da Revolução Agrícola e passamos a produzir mais alimentos até chegar ao estágio atual, onde produzimos além da necessidade. Se existe fome – e obviamente existe – é por má distribuição e desperdício e não por falta de alimentos. Essa história é real e emblemática, e sempre nos servirá de lição.

O que a falta de alimentos representou no passado a poluição e a degradação ambiental representam no presente. Apesar de toda a nossa ciência continuamos dependentes da natureza, que insistimos em destruir. Continuamos a precisar da luz do sol, de oxigênio, de água e comida – somos natureza-dependentes. Deixar a Terra (poluída e estéril) para trás a bordo de uma nave interestrelar é uma opção impossível no momento atual e extremamente arriscada em qualquer outro momento da história futura. Por isso, temos um medo justificado do que nos reserva o futuro. Afinal, “Deus sempre perdoa, o homem algumas vezes; a natureza nunca”.

O medo sempre foi e será responsável por nos preservamos. Vivemos uma época conturbada, mas a “ficha caiu” para as questões ambientais e só nos resta buscar a sustentabilidade. Tal busca requer recursos econômicos, tecnologia, políticas mundialmente coordenadas e muita educação, respeito e amor. Amor, sim, como não?

O Desenvolvimento Sustentável fala na garantia de que as gerações futuras recebam um Planeta em condições de fornecer aquilo que, de graça, sempre nos deu. Como garantir isso se não tivermos amor pela espécie humana? Como começar a deixar de sujar rios e praias, jogar lixo no lugar errado, consumir irracionalmente, sem amor pelo próximo e por nós mesmos?

Um bom começo seria começar pela paz. Precisamos de uma PAX AMBIENTAL, onde empresas, sociedade e órgãos ambientais promovam o amor ao meio ambiente, que se expresse pela busca realista de soluções viáveis em detrimento de disputas pequenas e estéreis.

Não tenhamos ilusão –  sustentabilidade e amor tem tudo a ver um com o outro. Mas não vale amor platônico, temos de amar além das intenções, temos de praticar o amor à Terra, à vida, a nossos filhos e seus descendentes. Deus nos ilumine.