Ifes de Venda Nova recebe produtores rurais em palestras sobre leite e café

Produtores rurais da região de Venda Nova do Imigrante participaram de palestras sobre as experiências argentinas na produção de leite. Outro tema discutido foi a utilização dos recursos hídricos na produção cafeeira da Colômbia. Os eventos fizeram parte da programação da XI Jornada de Iniciação Científica, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e aconteceram no auditório do Campus Venda Nova nos dias 18 e 19 de outubro.

As pesquisadoras argentinas Maria Cecilia Ana Conci e Estefania Jornet, da Universidade Nacional Villa Maria (UNVM), falaram sobre as características do setor lácteo de Villa Maria e Córdoba, a grande zona leiteira do país; e também sobre a criação de um suplemento alimentar para bovinos, muito utilizado pelos produtores argentinos em períodos de seca ou de enchente.

Estefania explicou sobre os diferentes tipos de queijos e produtos lácteos desenvolvidos pelo país e contou sobre a criação do “cluster queijeiro”, uma associação formada por 88 empresas, 900 ordenhas, que possui 2200 pessoas empregadas, produz 95.173 toneladas de queijo por ano, e abrange uma área de 13.500 quilômetros quadrados. O resultado da associação foi a padronização de todos os procedimentos dos atores envolvidos, e a criação de um queijo específico da região.

Maria Cecilia falou sobre a empresa Melavill, criada a partir de um consórcio público/privado entre a empresa Lynce, a UNVM e o pesquisador Eduardo Castilhos. O produto desenvolvido a partir da equipe multidisciplinar é uma bala de açúcar, de 30 cm x 30 cm x 30 cm, utilizada como suplemento alimentar para bovinos, principalmente em épocas de estiagem ou de enchente.

O produtor José Anilton Dias, de Afonso Cláudio, destacou a importância do entrosamento de culturas. “É muito bom participar de palestras como essa, nós abrimos as janelas para novas experiências”, comentou. Já Eriones Garcia Alves, que é de uma família produtora de leite e café, afirmou que procuraria as pesquisadoras para tirar mais dúvidas. “Gostaria de saber sobre as possibilidades de importação da bala de açúcar e também de saber se o produto apresentou uma melhora no leite”, afirmou.

A água na produção de café 

No dia 19 de outubro, o pesquisador colombiano Carlos Eugenio Oliveros Tascón, do Centro Nacional de Investigaciones de Café (Cenicafé), apresentou as soluções tecnológicas desenvolvidas por sua instituição para economia de água e tratamento da água de resíduo no processo de lavagem do café.

A primeira delas, criada em 1995, chamada Becolsub, reduziu o uso de água de 40 litros para menos de 1 litro (por quilo de café) e ainda diminuiu cerca de 90% a contaminação no processo de lavagem. Segundo Carlos Eugenio, a tecnologia foi considerada um sucesso em 2000. Depois, ele apresentou o Ecomill, uma nova tecnologia para o mesmo processo, que tem o objetivo de atingir os produtores colombianos que ainda utilizam o processo de fermentação natural.

O Ecomill utiliza apenas de 0,3 a 0,5 litros de água por quilo de café e ainda reduz o consumo de energia em 84%, sendo considerado a melhor solução para gestão da água na produção cafeeira colombiana. “Hoje é possível fazer o controle de 100% da contaminação, o que representa sua maior vantagem, já que temos muitos problemas com água contaminada na Colômbia”, destacou.

Fonte: Ifes