Drone. Muito além de belas fotografias

Você já presenciou um pequeno objeto voando pelo céu durante uma festa ou em um grande evento? Caso a resposta seja sim, você estava diante de um drone. Mas, não se engane achando que eles só servem para tirar ótimas fotografias aéreas. A utilização dessa tecnologia vai muito além.
O Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) ou Veículo Aéreo Remotamente Pilotado (VARP) é mais conhecido como drone (zangão, em inglês). Classifica-se como drone todo e qualquer tipo de aeronave que não necessita de pilotos embarcados para ser guiada.
Os VANTs ou drones foram idealizados para fins militares, e são há vários anos, um dos principais instrumentos da estratégia militar dos EUA. Sua utilização é muito comum nas áreas de inteligência militar, apoio e controle de tiro de artilharia, apoio aéreo a tropas de infantaria e cavalaria no campo de batalha, controle de mísseis de cruzeiro, atividades de patrulhamento urbano, costeiro, ambiental e de fronteiras, atividades de busca e resgate.

Na indústria

No Espírito Santo temos um grande exemplo da utilização de drones para fins de pesquisa, tecnologia e inovação. A empresa capixaba Neo Vision, presta diversos serviços com esse material, entre eles a inspeção visual, em locais de difícil acesso ou que represente algum risco, serviços de processamento e a inspeção termográfica, todos realizados por meio de drones.
Com os drones é possível fazer vídeos e captar imagens em ambientes de difícil acesso humano, como em túneis, buracos e telhados, por exemplo. O drone é de grande ajuda, pois executa o trabalho de forma muito mais rápida e específica.
Lucas Jonis, sócio da empresa, conta que ela surgiu após um amigo voltar dos Estados Unidos e mostrar para ele a tecnologia que conheceu no país. O interesse de Lucas pelos drones foi instantâneo, mas ele e seu sócio Felipe Sueti, viajaram até a Itália para conhecer e entender o funcionamento do equipamento.
“Na época ninguém conhecia esse equipamento aqui e era muito raro ter acesso a isso, e mesmo o que a gente via era muito do que se tem hoje, não era um equipamento técnico especializado. A ideia de trazer isso para cá e montar uma empresa que trabalha com drones especificamente foi depois de conhecer e ver que funcionava”, explica.
Lucas conta que o mercado na Europa para o uso de drones está muito mais avançado do que aqui no Brasil. “O mercado de lá é muito parecido com o que a gente tem aqui. O que acontece é que lá tem uma cultura de aplicação de tecnologia e um acesso a tecnologia de ponta, o que ainda é muito difícil por aqui. Os sistemas que a gente demorou para montar, por muito tempo e com investimento próprio, lá eles já têm acesso muito mais rápido e de forma mais fácil”, afirma.

No Futuro

Lucas Jonis fala que vê uma grande evolução no mercado de drones em 10 anos. Ele conta que essa evolução será no tamanho, no alcance, na segurança de voo, na robótica em si, na programação e no nível de informação.
“Acredito que daqui a 10 anos a gente vai ter, primeiro de tudo, a redução de tamanho. Hoje em dia usamos um drone de um metro e quase 20 quilos para poder ter uma informação. Em 10 anos teremos um sistema de 500 gramas para ter o mesmo nível ou maior de informação. Os extensores embarcados terão informações diversas e com plataformas se comunicando em tempo real. Daqui a 10 anos estaremos no Brasil em um nível grande de pesquisa e invenção. Nosso planejamento é esse. Esse é o nível de tecnologia que já trabalhamos hoje para alcançar”, planeja.

Na Fotografia

Bruno Sibilio Barra é proprietário da empresa Vertical Fun, de imagens aéreas. A empresa realiza diversos trabalhos fotográficos e de filmagens por meio de drones.
Bruno é pioneiro na captação e produção de imagens aéreas no norte do Estado. Segundo ele, a maior parte da demanda vem de empresas privadas e produtores de filmes.
O empresário conta que existem diversos cuidados para quem deseja ter um drone, sendo preciso estar atento ao balanceamento dos motores e hélices. Além disso, é necessário calibrar a bússola dentro dos parâmetros indicados. Nos dias com maior incidência de radiação solar é preciso evitar os voos, por precaução.
“A falta de habilidade e de manutenção podem acarretar em acidentes. O indicado é nunca sobrevoar com aglomerações de pessoas ou locais fechados. Para os iniciantes, a dica é usar o equipamento apenas em locais abertos e não povoados”, conta.

Na Moda

Os selfies, que são as fotos que as pessoas fazem se si mesmas, virou uma febre mundial com o avanço da tecnologia. Com um smartfone ou um tablet na mão, milhares de pessoas adotaram essa prática, sendo muito comum até no mundo dos famosos.
A designer gráfica e ilustradora, de Los Angeles, Renee Lusano, elevou a arte da selfie a outro patamar. Com mais de 17 mil seguidores, no instagram, a jovem viaja pelo mundo, fato que já renderia fotos incríveis, mas com uma companhia inusitada. O drone DJI Fantasma 3, apelidado carinhosamente de Furby 4, tornou-se o parceiro inseparável de Renee.
Os posts no instagram de Renee (@wrenees) impressionam ao mesclarem fotos e vídeos, sempre com paisagens incríveis, de ângulos e alturas inimagináveis. Ela diz que sua vida ficou completa depois de adquirir o Furby com câmera, mas alerta que é importantíssimo verificar as leis de cada país. Por exemplo, na França drones são ilegais.

Regulamentação

A agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou uma proposta de regulamentação do uso civil de drones no país. Se aprovadas, tanto para o uso recreativo quanto profissional, será preciso respeitar uma distância mínima de 30 metros de pessoas que não tenham declarado ciência da presença do equipamento. O uso recreativo não terá idade mínima, nem exigirá licença ou habilitação, desde que o condutor não ultrapasse 400 pés (120 metros). Para o uso profissional, quanto mais pesado o equipamento, maiores serão as exigências para operá-los.
Quem descumprir as determinações estará sujeito a multa, que poderá variar de R$ 800,00 a R$ 30 mil. A fiscalização ficará a cargo da Anac e órgãos de segurança pública. O material terá quer ser certificados pela agência.

No Espírito Santo

Em novembro foi realizado em Vitória o Fórum Capixaba de Inovação e Regulamentação de Drones. Empresários, pesquisadores, fabricantes, operadores, órgãos públicos e instituições de tecnologia criaram uma comissão para acompanhar a discussão no Congresso Nacional sobre a regulamentação para o uso dessa tecnologia.
Durante o Fórum, o Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), Guerino Balestrassi, afirmou que o papel da Secti é fomentar o desenvolvimento dessa inovação com responsabilidade. “É fundamental que todos estejam atualizados sobre as pesquisas, segurança dos voos e utilização dos drones. Esse é um mercado em expansão e com uma boa visibilidade”.