Deus salve o Rei

Talvez parodiando a novela da Globo, vimos falar do rei Roberto. Um rei que reina há muitos anos, fazendo a maioria de seus súditos sonharem com o amor e a esperança. O motivo da coluna é que o titulo da novela me fez pensar sobre o motivo da longevidade artística de Roberto Carlos, uma coisa que não é normal.

Tudo bem, outros artistas reinaram anos a fio, mas com certeza, não com o mesmo carisma do moço de Cachoeiro. Eis o mistério. Porque tanto carisma, tanta admiração que todos têm por esse moço? Seu jeito, suas musicas, seu modo de tratar com todos.

Façam uma análise sobre outros interpretes gravando e cantando suas músicas. Têm famosos, tem iniciantes, têm roqueiros, românticos, sertanejos, homens, mulheres, conjuntos, e por ai vai. Impressionante.

Imagino como fica ele, vendo de sua casa essas pessoas cantando e falando dele. Com espírito muito brincalhão, RC parece estar sempre em paz com a felicidade, tirando aquele período da morte de Maria Rita.

Particularmente enalteço Roberto Carlos por ter criado e gravado seu hit O Divã, onde, em um trecho da musica, ele fala do momento do acidente que o vitimou de maneira clara, e também se isso o incomoda ate hoje ou não. Diz assim:” …RELEMBRO BEM A FESTA (de Cachoeiro), O APITO ( do trem que o pegou), E NA MULTIDÃO UM GRITO (talvez o dele próprio), O SANGUE NO LINHO BRANCO (o seu sangue na roupa branca de quem o socorria), A PAZ DE QUEM CARREGAVA EM SEUS BRAÇOS QUEM CHORAVA (Era Renato Spindola, que passava de moto e viu a multidão. Chegou, pegou o menino e o levou na moto e nos braços para o hospital), E NO CEU AINDA OLHAVA E ENCONTRAVA ESPERANÇA (ele ainda lembra dessa cena antes de desmaiar), DE UM DIA TÃO DISTANTE, PELO MENOS POR INSTANTES ENCONTRAR A PAZ SONHADA (talvez, por tempos, isso ficou impregnado em sua mente e alma)…ESSAS RECORDAÇÕES ME MATAM.

Mas hoje certamente ele tenha superado. Mas foi demais para uma criança de apenas seis anos. Talvez por isso de sua trajetória e de seu carisma sobre as pessoas. Coisas de Deus, que sempre recompensa.

 

 

José Roberto Mignone