Desperdício de alimentos

Após receber seu salário e pagar suas contas, o que você faz com o dinheiro que sobra? Joga no lixo? Parece loucura, não é? Mas essa é a realidade de muitas pessoas, inclusive pode ser a sua! Quando você joga aquele “restinho” de comida fora, aquela fruta amassada ou deixa um produto esquecido na geladeira, que acaba passando da validade e vai para a lixeira, é isso mesmo que você está fazendo: jogando dinheiro fora! E o pior, jogando água e diversos outros recursos naturais diretamente no lixo.
Todos os dias, grandes quantidades de alimentos que poderiam ter sido consumidos (ou ter outra utilização) são desperdiçados. Segundo o Grupo ONU Verde, a cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos, cerca de 1/3 da produção mundial, é desperdiçado, incluindo cerca de 45% de todas as frutas e legumes, 35% dos peixes e frutos do mar, 30% dos cereais, 20% dos produtos lácteos e 20% da carne.
Essa realidade é ainda mais forte em nosso país, já que o Brasil é considerado um dos dez países que mais desperdiçam alimentos em todo o mundo, com cerca de 30% da produção praticamente jogados fora na fase pós-colheita.

Desperdícios no Brasil

  • Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), são desperdiçadas cerca de 41 mil toneladas de alimentos por dia no Brasil. O que daria para alimentar, se você calcular durante um ano, 25 milhões de pessoas;
  • Cada família brasileira desperdiça cerca de 171 reais de alimentos por mês.
  • Cada brasileiro gera em torno de um quilo de lixo por dia. Cerca de 58% desse total é representado por lixo orgânico, formado de restos de alimentos;

Desperdício capixaba

No Espírito Santo também temos muito desperdício. Segundo o Diretor presidente da Ceasa, José Carlos Buffon, somente na Central são desperdiçadas cerca de 10 toneladas de alimentos por dia, sendo quase 2500 toneladas por ano.
Buffon afirma que a Ceasa está encerrando um planejamento estratégico, e uma das ações contempladas é a redução de desperdícios, a partir do momento em que o alimento entra na Central.
“Vamos disponibilizar pessoas para recolher esses produtos, no momento em que ele cai e está em condições boas para o uso. Outro ponto é quando o produtor não tem recipiente adequado ou coleta regular, com isso ele acaba misturando produtos bons e ruins, jogando tudo no lixo. Estamos fechando uma parceria com a Prefeitura de Cariacica para industrializar alguns produtos que a apresentação não está boa, mas podem ser transformados em doces e geleias”, conta.
Buffon afirma também que trabalhar a conscientização do produtor é fundamental. “Os produtores devem ter um cuidado com o transporte, dando preferência a uma embalagem adequada e menos agressiva, de forma que o produto não sofra com o transporte. Muitas vezes os alimentos saem bons e chegam aqui danificados. Nós temos consciência de que o Estado pode interferir e ajudar ao produtor em algumas fases do processo, e é isso que estamos fazendo”, conclui.

Ajuda
Muitas famílias vão à Ceasa para recolher os alimentos que estão em boas condições, mas que seriam descartados. Esse é o caso da família da dona de casa Luciene Rosa. A moradora de Cariacica vai ao local uma vez por semana para fazer o recolhimento dos alimentos que ajudam na refeição de sua família, que é composta por seis pessoas, sendo dessas, quatro crianças.
“Eu escolho as coisas boas. Nós achamos, na maioria das vezes, esses alimentos pelo chão, quando caem dos carros, e aproveitamos. Levo para casa, lavo e conservo na geladeira. Essas frutas e verduras ajudam muito, porque elas são caras nas feiras e nos supermercados e para mim, que estou desempregada é uma ótima opção”, conta.

Em boas condições

Nem tudo está perdido. Os alimentos que estão em boas condições, mas sem condições de venda, são doados por produtores agrícolas, supermercados e empresas alimentícias para instituições, como o Mesa Brasil Sesc. O programa do Serviço Social do Comércio é uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício. No Espírito Santo funciona na Ceasa, em Cariacica, desde 2003.
Em 2015, cerca de 1.697,917 toneladas de alimentos foram doadas para o programa ( 31% de produtores do interior, 21% da Ceasa e outros). que repassou para as instituições cadastradas. Ao todo, 172 instituições, como creches, abrigos, albergues, casas lares, e, eventualmente, algumas associações e hospitais filantrópicos, foram beneficiados.
“Nós buscamos as doações, temos veículos próprios para fazer a captação. Nosso galpão fica na Ceasa, que cede o espaço e as entidades buscam aqui conosco. Temos dois assistentes sociais que cadastram as instituições e duas nutricionistas que avaliam os alimentos. Todas as instituições recebem visitas, e depois de cadastradas, passam a receber as doações. Nós também realizamos palestras para evitar o desperdício dos alimentos doados, para aproveitar o alimento ao máximo”, explica a coordenadora do Programa no ES, Vanessa Baptista Massini. Ao todo, 14 municípios são atendidos no Espírito Santo.
“Estamos sempre em busca de novos doadores, porque podemos ajudar mais entidades. Buscamos aonde sobra e levamos aonde falta”, finaliza Vanessa.