Dennis DJ o ‘hitmaker’ do funk brasileiro

O que o produtor e compositor carioca Dennis DJ faz, faz sucesso. E isso não é exagero. É constatação. Os “Bailes do Dennis” que ele promove pelo país afora, têm sempre lotação esgotada. As produções em parcerias com vários DJs e artistas renomados bombam na internet, como em “Vamos beber, joga o copo pro alto – Feat” com João Lucas  & Marcelo e Ronaldinho Gaúcho, que já alcança a casa dos milhões de visitas no Youtube. A marca Dennis DJ é uma referência também de sucesso no rádio. Nas rádios da  Rede Sim, o programa Baile do Dennis tem grande audiência. A agenda de shows de Dennis é lotada o ano todo. Para se ter uma ideia, somente entre os dias 20 e 21 de novembro ele realizou quatro apresentações nas cidades capixabas de Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, Itapemirim e Alfredo Chaves. Dennis DJ, com seus 19 anos de carreira, já produziu mais de 600 músicas e é visto como ‘o maior produtor de funk do mundo’.

Revista Sim: Como foi o início da carreira e com quais músicas começou seu sucesso?
No início foi como DJ, em 1997, na Furacão 2000. Como produtor e compositor, alcançamos os maiores sucessos do gênero nos anos 2000, como “Cerol na Mão” (Bonde do Tigrão), “Dança da Motinha“ (Beth) e “Tô Tranquilão” (Sapão). Isso se tornou fundamental para o crescimento de uma equipe que, na época, era referência de funk no país.

SIM: Dennis, qual é o seu sentimento diante do sucesso e respeito profissional que você conquistou?
Gratidão! Sou muito grato por todas as oportunidades que tive até aqui. São quase 19 anos de carreira e pessoas maravilhosas passaram pela minha vida, possibilitando que eu crescesse e me tornasse o que sou hoje. Fico feliz com o reconhecimento do meu trabalho, mas sempre acho que posso melhorar e ir além. O sucesso não mudou minha cabeça ou minha busca pelo melhor.

SIM: Por que você é considerado o maior produtor de funk do mundo?
Eu produzo desde os 17 anos e, como disse, desde então, fui responsável por alguns dos maiores sucessos do gênero. Acho meio exagerado isso de maior do mundo, mas as pessoas estão dizendo e não sou eu que vou discordar, né? (Risos) Como disse, sempre acho que posso ir além, então tenho experimentado algumas misturas improváveis e o público tem respondido positivamente.

SIM: O que você acha de chamarem você de o ‘David Guetta’ do funk carioca? Por quê?
Eu me sinto honrado! Meus seguidores sabem que ele é uma grande referência para o trabalho que desenvolvo como produtor e DJ. A série autoral “Dennis Feat.”, em que faço parcerias com diversos artistas, foi inspirada numa série do Guetta que iniciou uma tendência de parcerias entre DJ´s e músicos. Tenho outras grandes referências na música eletrônica, mas o público vai reconhecendo aos poucos e fazendo essas associações.

SIM? Como é trabalhar em parceria com tantos artistas? Entre essas parcerias, quais as que você destacaria?
A gente sempre tem o que aprender, e essa troca de conhecimento é incrível. Não posso escolher uma música de destaque, mas acho que as que produzi no início da carreira foram importantes, tanto como compositor, quanto como produtor. “Tô Tranquilão”, interpretada pelo MC Sapão, me marcou por ser uma das primeiras a estourar no Brasil. Tenho um enorme carinho por “Louca Louquinha”, com a dupla João Lucas & Marcelo, mas a mais marcante sempre será a próxima.
Em 2013, quando decidi focar em minha carreira, procurei inovar e explorar os conhecimentos musicais misturando o funk a outros gêneros. Aí compus e produzi “Louca Louquinha”, que foi a canção mais executada no Brasil naquele ano, interpretada pelo MC K9 e João Lucas & Marcelo. Com os sertanejos, também gravei “Musa” e a estourada “Vamos beber – Joga o copo pro alto”, com a participação do jogador Ronaldinho Gaúcho.

Sim: Também em 2013 você lançou o projeto ‘Dennis feat’; como é esse projeto?
A partir do sucesso da experiência com outros gêneros musicais iniciei esse projeto autoral “Dennis feat”. Inspirado nos principais produtores da cena eletrônica mundial, criamos o “Future Funk”, onde acrescentamos elementos de outros estilos de música eletrônica, como EDM, deep, trap e house, ao tradicional funk carioca. Além desse mix inusitado, as produções contam com letras em português e são gravadas nas vozes de artistas renomados, escolhidos a dedo por nós.
O projeto, iniciado com o hit “Quero te Provar”, (Koringa, Naldo e Mr. Catra) se desenvolveu e deu origem a uma série de sucessos como “Lindona” (Guimê, Bola e Nego Blue); “Acelerada” (Smith e Maneirinho); “Diva” (Marcinho e K9), “Soltinha” (Bola e Mr. Catra) e outros que acumulam milhões de visualizações no youtube. A repercussão positiva de todas as canções do projeto garantiu a expansão do alcance do meu trabalho. Colhendo frutos dessa visibilidade fui convidado para tocar em festivais por todo o país, participei do desfile do maior bloco de carnaval do Rio de Janeiro, o Monobloco, com quem gravei o clipe da música “Carol”. Tive ainda cinco videoclipes exibidos simultaneamente no canal Multishow e concorri a diversas categorias do Prêmio Multishow 2015.

SIM: Como você explica o fenômeno funknejo?
Experimentei essa mistura, pela primeira vez, em “Louca, louquinha”, com MC K9 e a dupla João Lucas e Marcelo, no final de 2012, e foi a música mais tocada de 2013. Depois, em novas parcerias com a dupla, vieram “Vamos beber” (“Joga o copo pro alto”), com participação do jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho, e “Musa”.
O funk e o sertanejo são gêneros muito populares e festivos, com temáticas semelhantes e uma aceitação muito grande do público. Ambos se apropriam de elementos que estão dando certo em outros gêneros pelo mundo, e é esse o segredo dessa combinação de sucesso. Já dividi palco com grandes artistas da música sertaneja, como Jorge e Matheus, Henrique e Juliano e Lucas Lucco, com quem acabei de lançar a música “Se Produz”, e a levada do público é a mesma. Ainda vamos ver muito funknejo fazendo sucesso por aí!

SIM: Quem te conhece afirma que você é um artista simples, humilde e dedicado ao seu trabalho. Sendo assim, como é para você trabalhar (e conviver) nos shows com esses apelos de sedução (sexo) e ostentação? Seria só um grande teatro, um entretenimento? Ou Esse mundo também te encanta?
Ninguém se comporta da mesma maneira o tempo inteiro. Independente de ser na noite, costumamos assumir outra postura na vida profissional, mas nem por isso é algo teatral ou fingimento. Ser simples e dedicado ao trabalho não descarta ser capaz de entreter a galera nos shows e tocar músicas que falam sobre diversão ou sensualidade! Eu sou apaixonado pelo meu trabalho e me sinto realizado por ter, em diferentes momentos, tudo o que amo por perto.
Sim: Dizem que você está revolucionando o funk. Você acha isso mesmo? Por quê?
Revolucionar é um termo muito forte, mas posso dizer, com orgulho, que participei ativamente de todas as fases do funk. Lá no começo, nos anos 90, o gênero era caracterizado por vozes jogadas sobre gravações e remixes de músicas da Black Music, e hoje alguns dos artistas mais populares do país surgiram no funk. Ainda não vimos tudo que ele tem a oferecer com seus diversos estilos, mas estou sempre inovando, buscando novos desafios.
Há algum tempo, misturo elementos de outros estilos de música eletrônica às minhas produções, e isso é muito bem recebido pelo público. Estamos chamando essa mistura de “Future Funk”, um gênero musical que, como música pop brasileira, tem raízes no funk e vai muito além. Não temos limites para criar!
Sim: Qual é o espaço que o funk ocupa hoje no mercado da música brasileira?
O funk, como o sertanejo e o rock, preenche diversas fatias do mercado fonográfico brasileiro. Existem diferentes segmentos e estilos dentro de cada um desses gêneros, e é isso que possibilita o surgimento de tantos músicos de sucesso no funk. Esses artistas entram no mercado por uma porta mais acessível, seguindo um segmento mais comum no funk, e desenvolvem seus trabalhos para abraçar novos públicos.

Sim: Como você vê a reputação, a fama do funk, hoje, bem como letras e dança (que incitam violência, sensualidade, drogas). Você acha que o funk também contribui para a politização e cidadania com sua crítica social?
Todos os gêneros musicais têm segmentos que abordam essas temáticas. Vejo isso como uma forma criada para justificar o preconceito com um gênero que, por muito tempo, representou a voz da comunidade. O funk caiu nas graças de todo mundo e está na trilha sonora das principais novelas da TV aberta. Já superamos esse rótulo.
Sim: Já consagrado como produtor, você resolveu criar sua própria gravadora, não é?
Fundei a Galerão Records onde me dedicava a desenvolver o funk e a buscar novas possibilidades. Desde então, produzi mais de 600 músicas, emplacando minhas composições nas paradas de sucesso de todo o país e lançando diversos artistas, como: Bonde do Tigrão, Tati Quebra Barraco, Bonde do Vinho, Sapão e muitos outros. Entre as novas produções, recentemente, lançei a música “Se produz”, com participação do cantor Lucas Lucco.
SIM: Mas você também está lançando este ano um CD/DVD do Baile do Dennis…
Sim, acabo de lançar o primeiro CD/DVD do “Baile do Dennis”. O Baile é um evento autoral que lota as casas por onde passa. O “Baile do Dennis Ao Vivo” chega às lojas, pela Deck, e, já está disponível no youtube, o vídeo da música “Santinha”, com participação do cantor Buchecha. Além dele, também estão no registro, dirigido e produzido por mim, o grupo Monobloco, a dupla João Lucas & Marcelo, entre outros.