Argumentar para convencer

Cada vez mais assistimos à verdadeiros embates e enfrentamentos nas redes sociais e na vida.

Aliás, as redes sociais tornaram-se um terreno fértil para a difusão do ódio, do preconceito, da desinformação e da ignorância de muitos.

Para esses que preferem destratar o outro ao invés de apresentar suas ideias e concepções de mundo, não há muito o que fazer. Apenas torcer para que um dia acordem do sono profundo do ressentimento.

Mas há uma nova geração digital que ingressou, ou está prestes a ingressar, nesse mundo virtual que pode ainda ser educada segundo preceitos da convivência saudável com o contraditório e a arte da boa e velha retórica.

Não há nada de novo nisso. Pelo contrário. A novidade é que, com o advento das redes sociais, as pessoas passaram a ter uma plataforma de publicização de suas ideias com alcance inimaginável. Cada um pode se sentir um verdadeiro escritor. Com público e “vendagem” garantidos.

Associada às plataformas virtuais está a insana busca por notoriedade. Há pessoas quase que dependentes das curtidas, visualizações e outras formas de reconhecimento da atividade virtual desenvolvida. Não preciso dizer como isso é perigoso. A frustração que gera um insucesso, ainda que virtual, pode resultar em consequências indesejadas na vida de um jovem iniciante ou até de internautas mais experientes.

Diante disso, temos uma ótima oportunidade para discutir com nossos jovens o valor da argumentação para o convencimento. Quem argumenta busca demonstrar que seu ponto de vista está correto, mas está aberto a ouvir argumentos contrários e, eventualmente, mudar suas convicções.

Parece simples, e realmente é, mas, na prática estamos assistindo cada vez mais a intolerância superar a razão e meras opiniões sendo confundidas com argumentos.

As opiniões são importantes, mas refletem crenças pessoais nem sempre fruto de reflexão ou do amadurecimento de ideias sobre determinados temas.

Nesse contexto confuso a orientação de quem pode dar um tom de equilíbrio e experiência para nossos jovens é indispensável. Mas nada de sermões professorais. A orientação passa necessariamente pelo reconhecimento do interesse do jovem no debate de ideais e da sua disposição de fazer prevalecer, democraticamente, suas visões de mundo.

O caminho passa também pela conscientização que, embora a arena seja virtual, as consequências podem acontecer no mundo real, inclusive da responsabilização penal e civil decorrentes das opiniões emitidas.

Palavras escritas documentam pensamentos e visões de mundo, mas podem expor preconceitos, insultos e crimes.

É preciso saber conviver nessa era dos embates narrativos.